Podemos dizer que a desflorestação normalmente resulta numa erosão dos solos que poderá provocar a desertificação. Vamos considerar no que consiste cada um destes conceitos.
Desflorestação
A desflorestação é o processo de desaparecimento de massas florestais, causada principalmente pela actividade humana. Normalmente a desflorestação ocorre por acção do homem quando destrói florestas para obter solo para cultivo, ou quando é feita a extracção de madeira por parte da indústria madeireira.
Como consequência, a desflorestação faz com que determinados absorventes de dióxido de carbono desapareçam. Desse modo, o meio ambiente torna-se incapaz de absorver as enormes quantidades deste causador do efeito de estufa e isso faz com que o problema do aquecimento global se agrave cada vez mais.
Assim, como forma de tentar conter o avanço do aquecimento global, diversos organismos internacionais têm proposto que se passe a reflorestar as áreas anteriormente abrangidas por florestas. No entanto, essa medida não é totalmente aceitável para os ecologistas, pois estes acreditam que a recuperação da área desmatada pode resolver o problema da eliminação do gás carbónico, mas que não restitui a biodiversidade toda a região.
Deste modo, podemos dizer que o reflorestamento resulta num conjunto de árvores situadas segundo uma separação definida artificialmente, entre as quais surge uma vegetação herbácea ou arbustiva que não costuma aparecer na floresta natural. Muitas vezes plantam-se árvores não nativas e que em certas ocasiões acabam por danificar o substrato, tal como ocorre em muitas plantações de pinheiro ou eucalipto.
Erosão
A erosão é a destruição do solo e das rochas e consequentemente o seu transporte, em geral feito pela água da chuva, pelo vento ou pela acção do gelo. A erosão destrói as estruturas que compõem o solo: areias, argilas, óxidos e húmus. Estas estruturas são transportadas para as partes mais baixas dos relevos e em geral vão assorear alguns cursos de água.
A erosão destrói, não apenas os solos, mas também as águas e tem-se tornado num problema muito sério em todo o mundo. Para minimizar este problema é necessário que se adaptem determinadas práticas de conservação dos solos.
Quando os solos são cobertos de floresta a erosão é muito pequena e quase inexistente, mas este é um processo natural sempre presente e importante para a formação dos relevos. O problema ocorre principalmente quando o homem destrói as florestas (desflorestação), para uso agrícola e deixa o solo exposto, porque a erosão torna-se severa, e pode levar à desertificação.
Desertificação
A desertificação é o fenómeno que corresponde à transformação de uma determinada área num deserto. Conforme a Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação expressou, a desertificação é “a degradação da terra nas regiões áridas, semi-áridas e sub-húmidas secas, resultante de vários factores, entre eles as variações climáticas e as actividades humanas”. Normalmente consideram-se susceptíveis as áreas cujo índice de aridez se situa entre 0,05 e 0,65. A ONU adoptou o dia 17 de Junho como o Dia Mundial de Combate à Desertificação.
Muitas vezes, o termo desertificação é utilizado para a perda da capacidade produtiva dos ecossistemas causada pela actividade humana. Devido às condições ambientais, as actividades económicas desenvolvidas numa determinada região podem ultrapassar a capacidade de suporte e de sustentabilidade. O problema é que, a curto prazo, o processo de desertificação é pouco perceptível para as populações locais. Além disso, há ainda a erosão genética da fauna e flora, a extinção de espécies e a proliferação eventual de espécies exóticas.
Portanto, podemos dizer que a desertificação é um processo em que o solo de determinados lugares começa a ficar cada vez mais estéril. Deste modo, a terra começa a perder os seus nutrientes e a capacidade de fazer nascer qualquer tipo de vegetação, seja florestas naturais ou plantações feitas pelo homem.
Com a falta de vegetação, as chuvas começam a rarear, o solo vai ficando árido e sem vida, e a sobrevivência fica muito mais difícil. Com o tempo, os moradores, agricultores e criadores de gado geralmente acabam por abandonar essas terras e vão procurar outro lugar para viver.
No caso dos desertos arenosos, originam-se a partir do empobrecimento do solo e da consequente morte da vegetação, sendo substituída por terreno arenoso. No caso dos desertos polares, a causa disso é a temperatura extremamente baixa daquelas regiões.
Nas regiões semi-áridas e semi-húmidas secas, os processos de desertificação são intensificados pela acção do homem. Normalmente, as actividades agropecuárias insustentáveis são as responsáveis pelos principais processos: a salinização de solos por irrigação, o sobrepastoreio e o esgotamento do solo pela utilização intensiva e insustentável dos recursos hídricos por procedimentos intensivos e que não estão adaptados às condições ambientais, além do manejamento inadequado na agropecuária.
Além disso, o crescimento demográfico e a consequente procura por energia e recursos naturais também exerce pressão pela utilização intensiva do solo e dos recursos hídricos.
As consequências deste processo acabam por gerar grandes problemas económicos, primeiro porque reduzem a oferta de alimentos e depois, porque há o custo de recuperação da área degradada. Do ponto de vista ambiental, a perda de espécies nativas acaba por ser uma consequência funesta. Além disso, os problemas sociais tais como a migração das populações para os centros urbanos, a pobreza, o desemprego e a violência. Isto gera um desequilíbrio entre as diversas regiões mundiais, visto que as áreas mais susceptíveis à desertificação se encontram em regiões pobres, onde já há uma desigualdade social a ser vencida.